
À minha frente o ecrã é um arranha-céus de janelas minimizadas
e na secretária não encontro nada,
nem sequer o agrafador que tanta falta faz.
Tenho folhas caídas, canetas sem tampa, frases sublinhadas com nexo,
ou nem isso. Sublinhadas, apenas.
Ao lume, cheira-me, o caldo verde está pronto.
E a carne, descongelada no alguidar, pede fogão.
A tábua e o ferro olham para mim com a tristeza dos abandonados.
É domingo. Não chove lá fora, mas cá dentro o sol ainda
não teve coragem de afastar todas as nuvens.
Preciso de um banho.
Talvez mais logo, quando a noite vier e o corpo exausto
dobrado e dormente me obrigar a adiar
a lista, a minha eterna lista
que, como o oceano à vista, nunca tem a porra de um fim.
1 comentários:
férias.
Numa ilha deserta.
Era disso que precisavas.
BJ
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